É possível construir uma economia que cresça justamente porque o oceano está saudável e não apesar de modelos predatórios? Luiza Voschan, da Ocean Pact responde nossas dúvidas.

Falar sobre sustentabilidade, preservação dos oceanos e impacto ambiental sem incluir empresas e setor privado na conversa é o mesmo que falar sozinho. Foi por isso que convidamos a OceanPact para o centro do papo neste episódio do Surf de Mesa gravado no REMA. Durante mais de uma hora, Carol Bridi e Rapha Tognini levaram as mais diversas dúvidas para uma conversa altamente sincera sobre uma realidade que precisamos encarar: o mundo não dá ré e o futuro está em perigo. O mar, nesse contexto, é uma das figura centrais.

Luiza Volschan, engenheira ambiental, mestre em Planejamento Energético e Ambiental pela COPPE/UFRJ e especialista em sustentabilidade e transição energética, trouxe para a mesa respostas que todos queremos, sem evitar perguntas difíceis.

Com mais de quatro anos de experiência na agenda climática, Luiza é coordenadora de Novos Negócios Azuis na OceanImpact, unidade de negócios da OceanPact, onde lidera projetos de descarbonização e inovação voltados à transição do setor marítimo e da economia azul.

Economia do Mar x Economia Azul

Em diagnóstico do Banco Mundial, oceanos e zonas costeiras são historicamente tratados como recursos ilimitados e depósitos de resíduos sem custo, com pressão crescente da expansão econômica e das mudanças climáticas. Atualmente, metodologias que incorporam o valor agregado total e os reflexos macroeconômicos estimam que a Economia do Mar atinge patamares próximos de 20% do PIB nacional, segundo a Marinha do Brasil. Esta participação, porém, ainda é considerada pouco explorada em comparação aos trilhões de dólares mapeados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no mundo.

O Brasil tem um dos maiores litorais e zonas econômicas exclusivas do planeta, o que tende a atrair investimentos e virar motor de crescimento nos próximos anos. Que o oceano gera crescimento econômico, não há dúvidas. A questão é: o que disso fica nas comunidades costeiras e como crescer de forma sustentável, sem degradar justamente o recurso que sustenta esse crescimento e, consequentemente, quem vive ao seu redor?

A resposta está no que Luiza explicou como a verdadeira Economia Azul, com atividades que respondem por 3% a 6% do PIB nacional. Esta sim, baseada nos pilares que garantem sustentabilidade: tripé ambiental, econômico e social. Aqui, por definição, não seria economia azul se, ao obter o impacto econômico, não considerar também o impacto na comunidade costeira e no meio ambiente.

Desafio da Economia Azul

O desafio central é transformar o oceano em economia sem destruir justamente o ativo que a sustenta. Quando se fala em economia do mar, Petróleo e Gás Offshore respondem por cerca de 60% do impacto direto mensurado, com Transporte Marítimo e Portos, Turismo Costeiro, Pesca e Aquicultura completando os setores economicamente mais representativos.

É exatamente por esse motivo que falar sobre sustentabilidade sem chamar as empresas para a conversa é chover no molhado. Aqui neste espisódio, conversamos com Luiza para entender quais são as reais possibilidades de construir uma economia que cresça justamente porque o oceano está saudável e não apesar de um modelo predatório.

E nessa conversa sem hipocrisia de lado nenhum, também conhecemos caminhos que estão sendo desenvolvidos via inovação, biotecnologia e novas formas de gerar energia através do mar, incluindo, vejam só, a própria energia que também gera as ondas.

No final, descobrimos que aquela expressão batida entre os surfistas quando tem onda – “a máquina está ligada” – nunca fez tanto sentido. O surf, meus amigos, está no meio disso tudo como uma das atividades relacionadas à economia azul. E como surfista, cabe a você o interesse no que ameaça ou preserva o seu parquinho de diversão.

Se você quer entender melhor os caminhos que temos no mar para encontrar respostas à situação ambiental crítica que vivemos, como a sociedade civil pode ser organizar e contribuir para isso, inclusive cobrando setor público e privado, e qual o seu papel nisso tudo como surfista e cidadão, dá o play aqui, que você não vai se arrepender.

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