Quando você fecha os olhos, os reflexos brilham girando em cores que você não sabe dizer exatamente se estão lá ou não. Acendem, apagam e passam em um balé dos estímulos externos que você absorveu durante todo o dia. Ficam lá, ressoando em um espaço que você tenta limpar.

Dia após dia, a gente puxa os próprios limites porque há um sentimento coletivo emanando forte. Conscientemente ou inconscientemente, queremos mais. De tudo. Seja lá o que for. E temos mais de tudo hoje do que jamais se teve.

Parar, em meio a isso tudo, é para os fortes. Perder qualquer coisa, hoje em dia, é para os corajosos. Acalmar os ânimos em tempos exaltados é para quem tem sua fortaleza particular.

Submergir, conhecer o próprio limite, absorver a imensidão do que gera a vida.

Há, é claro, quem passe sem ouvir o som da própria respiração. Mas há quem não consiga viver sem prender o ar e se entregar. Para estes, imenso, há cá o mar.

Então, deixa tudo pra lá só um pouquinho, e mergulha aí:

Forte, de frente, um caminhão
Ensurdecer, estilhaçar
Parar nunca
Você não quer perder o bonde
Os cacos encaixam-se nas frestas de ar
Você acha que aguenta mais uns segundos
Fecha os olhos
Pontos multicoloridos brilham em um caleidoscópio
Refletido no fundo preto
Tudo que você não conseguiu ignorar
O breu passou, um novo dia resolve
Você puxa o ar e vai
Há quanto tempo você não sente?
Onde você se esconde quando quer chorar?
Você consegue rir sem se conter?
Onde você estravasa a vida?
O tempo não precisa de você
Pare.
Há um mar inteiro pra se perder
Perca.