(Foto: Pedro Paiva/Flamboiar)
Talvez você nunca tenha ouvido falar em Dany Boi, mas com certeza já consumiu e se divertiu muito com o trabalho que ele entrega. Aos 70 anos, o produtor tem nas contas quase 70 eventos internacionais de surf. Destes, 23 foram etapas brasileiras do CT masculino e 17 do CT feminino. Então, sim, você já usufruiu de tudo que Dany orquestrou antes do que você vê acontecendo na praia durante um campeonato ou festival de surf.
Neste Surf de Mesa, gravado in loco durante o REMA, Dany conversou com Carol Bridi e Rapha Tognini sobre o que faz um evento de surf acontecer.
Bastidores da cultura surf
Nascido no Egito, mas brasileiro desde antes antes de completar o primeiro ano de vida, o produtor de eventos que tem a história da própria vida acontecendo paralela à evolução dos eventos de surf no Brasil, tem um pé em cada canto dos bastidores da cultura do surf.
Da última vez que foi expulso da escola até a primeira vez que entendeu como poderia surfar, se divertir e se sustentar do surf, foi um pulo. Mais precisamente, cerca de 800 quilômetros que separam a capital paulista de Imbituba. Foi lá que desenvolveu as primeira bermudas de surf brasileiras, feitas de tecido de lençol e chitão. Mais tarde, do início “informal” de marcas como a Lightning Bolt, Sundek, OP e Quicksilver no Brasil, se viu fazendo figuração e participação em publicidades de marcas que, já nas décadas de 80, buscavam no surf a imagem da liberdade e da felicidade.
E foi enxergando a solução para problemas no set, mesmo sendo o modelo, que passou da frente para atrás das câmeras e foi parar em grandes produções publicitárias e de cinema. Evoluiu e se desenvolveu profissionalmente em um mercado extremamente técnico e complexo, mas, de repente, não se sentia mais feliz. E foi buscando de volta a felicidade, que voltou para o surf trazendo a bagagem que faria toda diferença na história dos eventos da então ASP, depois WSL, no Brasil.
A partir daí, o resto é história que não acaba mais durante os 56 anos que acumula nos bastidores do surf nacional.
Objetivo: diversão
Nos últimos seis anos, Dany Boi tem sido o maestro do REMA Festival (antigo Saquarema Surf Festival), este ano responsável pela etapa do primeiro QS Internacional das Américas, com programação cultural que envolve skate, shows, cinema, sustentabilidade e wellness.
E aqui a gente começa a arranhar as bordas de tudo o repertório que Dany tem para dividir. Já é certo que não coube tudo em um só episódio. Aqui, a gente conta sua história, e em episódios futuros, prometemos trazer as histórias de bastidores que Dany coleciona desde o primeiro evento de surf que realizou, em 1983. Em comum desde então, a certeza de que o objetivo é se divertir. E de que o trabalho duro que levanta uma estrutura deste tamanho se sustenta, antes de tudo, com leveza, organização e, se possível, felicidade.
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