Tipo mídia de surf, só que mais legal

Pressão para liberar o surf, liberação em SC e Campeonato Bico Branco

Pressão para liberar o surf, liberação em SC e Campeonato Bico Branco

Ministro mencionando surf em entrevista coletiva, aumento da pressão pela liberação de surf em cidades brasileiras e o início do Campeonato Bico Branco. Está no ar o 7º episódio do podcast SURF ZINE. E estas são as principais notícias da semana:

Surf na coletiva de imprensa do Governo Federal

Nesta quinta-feira, 23 de abril, o surf foi mencionado pela primeira vez em coletiva de imprensa oficial do Governo Federal. As coletivas acontecem quase diariamente desde o início da crise do Coronavírus no Brasil. O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), André Luiz de Almeida Mendonça, usou o surf e a natação nas praias como exemplos de atividades físicas individuais que poderiam ser permitidas. Teve quem interpretasse que o Governo Federal, através da fala do ministro da AGU, estava automaticamente liberando a prática do surf. Especialmente porque um vídeo contendo somente um trecho da fala começou a circular pelos grupos de surf no WhatsApp.

A questão, porém, é um pouco mais complexa. Em sua fala completa, o ministro realmente questiona o motivo pelo qual estas atividades individuais nas praias estariam restritas, inclusive considerando arbitrárias as prisões relacionadas. Mas a informação prática que realmente vale no início da sua declaração é que a AGU reiterou um pedido de recurso feito há cerca de dez dias na ADPF 672. Explicando melhor: a ADPF 672 é um documento no qual o Supremo Tribunal Federal (STF) assegurou legalmente que Estados e Municípios têm autonomia na adoção ou manutenção de medidas restritivas durante a pandemia. Ou seja, o que o ministro informa, na verdade, é que o Governo Federal fez um pedido para fazer valer as definições do Ministério da Saúde acima das medidas estabelecidas por Estados e Municípios em casos considerados abusivos. O recurso, porém, ainda não andou dentro do STF.

Sidney como referência imprópria

O ministro usou como exemplo a cidade de Sidney, na Austrália, onde há, segundo ele, o incentivo pelas autoridades à prática de esportes individuais, desde que sem aglomeração. Ele ignorou, porém, o fato de Sidney ser uma cidade e de que somente em algumas praias o surf se tornou permitido. Seriam, portanto, medidas adotadas localmente por lá também, e não nacionalmente, como solicita o pedido de recurso feito ao STF feito pela AGU.

Vale questionar por que teria o STF estabelecido que medidas restritivas sejam tomadas localmente nesse momento. E a resposta mais lógica seria a seguinte: É localmente que se determina a capacidade do sistema de saúde em atender a demanda causada pela pandemia, observando a situação da curva de contágio também local. Ou seja, a situação de contágio e capacidade de atendimento em uma cidade não se aplica de igual maneira nas outras. Por que, então, as medidas deveriam ser aplicadas igualmente em todos os lugares?

Surf liberado em Santa Catarina

Isso justifica, por exemplo, o fato de que em Santa Catarina o surf esteja permitido enquanto em outros lugares do Brasil a presença nas praias esteja proibida. Sim, por lá a galera está autorizada a surfar. Isso veio na esteira da reabertura de diversas outras atividades em todo o estado esta semana. Mas é inevitável perceber que esta reabertura em Santa Catarina e as notícias de flexibilização em algumas praias americanas gerou uma pressão maior pela liberação geral do surf no país.

No Guarujá, por exemplo, existe a convocação para uma manifestação dos surfistas. O post que vem circulando no Instagram e WhatsApp chama todos os surfistas a irem para a água com suas pranchas às 7h da manhã de sábado na praia do Tombo, mesmo que isso contrarie o principal argumento pró liberação – a de que, sendo um esporte individual, o surf não provoca aglomerações. A lógica seria mais ou menos assim: Vamos aglomerar pessoas para dizer que o surf não aglomera pessoas.

Bico Branco

Enquanto se discute a conveniência de surfar ou não durante a pandemia, o consumo do surf na Internet está liberado. Na semana passada, contamos que alguns surfistas do CT e a Aprimore Surf lançaram o Campeonato Bico Branco,  uma iniciativa para contribuir com a galera que está sem patrocínio e sem campeonatos. As baterias do campeonato online estão rolando desde ontem no Instagram do Bico Branco. E no final da tarde desta sexta-feira saíram os resultados das primeiras baterias. É só olhar lá no perfil do Bico Branco para acompanhar tudo que está rolando, além de participar das votações que seguem diariamente.

E aqui estão os links para as DICAS DA SEMANA NO SURF ZINE:

A matéria de Matt Rode no Magic Sea Weed;

O clássico A Lagoa Azul;

A entrevista com Adriano de Souza no episódio 60 do Surf de Mesa.

O SURF ZINE também está disponível nas plataformas iTunes, Google Podcasts, Deezer, Spreaker e YouTube.

Quer ouvir mais podcasts de surf? Carolina Bridi, Junior Faria e Raphael Tognini também colocam suas ideias para funcionar todas as quintas-feiras no Surf de Mesa, o podcast mais sincerão do universo surfístico.