Ô de casa!

Ô de casa!

Muitas cabeças no line up. O sol, espectador assíduo, sentado no horizonte observa impassível a entrada das séries.. As linhas sobem anunciando que é hora de remar. Olhares entrecruzados e imperceptíveis movimentos com a cabeça definem quem rema primeiro, de quem será a maior, quem fica com a sobra, quem vai esperar. O crowd local, diferente daqueles que ocorrem em picos sem dono, tem um organização desconcertante que oscila entre confortável e tensa. Não há uma linha que defina de forma prática a hierarquia aquática quando todos se conhecem. Mas ela existe. Configura-se com o tempo e oferece possibilidades de ascensão.  Às vezes um surf mais arrojado, outras uma postura mais cool. Sabe-se lá como, de repente você faz parte do todo. E se ajeita como se a casa fosse sua.

Cristina Pereira
Cristina Pereira

Cristina Pereira vive em meio ao pó de poliuretano e às palavras desde sempre. Foi repórter, colunista e revisora de revistas de surf por um longo tempo, e surf repórter pioneira. Fala constante e ininterruptamente e faz das palavras seu meio e filosofia de vida.